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17/04/2008 - Teresa Bergher critica aumento do custo da obra para construção da Cidade da Música
Durante audiência da CPI da Música, realizada no auditório da Câmara do Rio, a vereadora Teresa Bergher - membro da Comissão, demonstrou grande preocupação com o uso do dinherio público na gestão municipal e criticou, duramente, aumento do custo da obra para construção da Cidade da Música, orçada inicialmente em 80 milhões, e hoje, com custo estimado em 500 milhões. Veja abaixo na texto na íntegra.

– Senhor Presidente desta Sessão, Vereador Carlo Caiado – e ao cumprimentá-lo cumprimento toda a Mesa – Sr. Secretário Ricardo Macieira aqui presente, Bom Dia a todos. Acho que a preocupação de todos nós é exatamente aquilo que o Presidente apontou desde o primeiro momento e também agora reforçou o Vereador Rubens Andrade – que é o custo desta obra. Uma obra inicialmente orçada em aproximadamente 80 milhões me parece; e hoje estaria em 500 milhões. O Secretário Eider Dantas, na nossa reunião na Cidade da Música, deixou claro que hoje esse custo estaria em torno de 500 milhões e que ele não poderia assegurar se seria um custo final. Talvez um pouco mais... Enfim, existe uma preocupação muito grande por parte da sociedade, com relação a isso, já que nós somos uma cidade que vive hoje todo tipo de carência. Mas não vou entrar por aí; o assunto em foco é outro.

Mas gostaria também de dizer o seguinte: quando o senhor apresentou um quadro comparativo do custo de grandes empreendimentos em outros países e em outras cidades, nós temos primeiramente que entender que a economia desses países é diferenciada da nossa economia. É uma outra realidade. Quanto é um salário mínimo, por exemplo, nos Estados Unidos? Até mesmo em Portugal, que é um país pequeno, com uma economia modesta, ainda. Então, são realidades completamente diferentes.

Quero ressaltar o seu entusiasmo por esse grande empreendimento que não deixa de ser. Tenho um apreço muito grande pelo seu trabalho, o senhor talvez seja um dos secretários que existe hoje na gestão Cesar Maia que eu mais aprecio. Mas tenho uma preocupação, sim; uma preocupação muito grande em relação principalmente à viabilidade, ao estudo de viabilidade. Por quê? O Presidente colocou isso na sua fala, logo no início: o que mais o preocupava era essa questão desse estudo de viabilidade. Quem vai ser o gestor? Quem vai assumir a Cidade da Música? O que nós não queremos é mais uma obra, mais um elefante branco para a Cidade do Rio de Janeiro, como aconteceu, por exemplo, com um hospital lá na Zona Oeste, que teve um custo de mais de 100 milhões e que se chegou até a fazer um concurso de contratação de profissionais de Saúde – caríssimo, em Acari. Eu nem gosto de falar Hospital de Acari, gosto de falar Hospital Ronaldo Gazolla, que foi um exemplo na Administração Pública no Município do Rio de Janeiro. Então sempre digo Ronaldo Gazolla, que é uma pessoa por quem tenho um respeito imenso e prezo muito sua memória. Mas o que nós não queremos é dinheiro público, como aconteceu com a Cidade do Samba, mas de 100 milhões investidos e depois a Cidade do Samba foi entregue à Liga das Escolas. A Prefeitura, hoje, se quiser realizar um evento, vai ter que pagar ou vai ter que agendar o local com muita antecedência, porque já vi Vereador aqui nesta Casa querendo levar crianças de comunidades carentes à Cidade do Samba e ser impedido. Então, o que nós queremos é o dinheiro público investido em projetos que são importantes para a Cidade – são importantes, mas o Secretário Eider Dantas, na nossa ida à Cidade da Música, mostrou a complexidade do projeto. Será que a nossa economia, será que a nossa realidade comporta esse tipo de projeto?

Fica aqui meu questionamento, mas acima de tudo minha preocupação com esse estudo de viabilidade. Quem vai ser o gestor? O que aconteceu com o Rio Centro? Não é verdade? Uma fortuna investida e depois teve que se privatizar e até hoje está aí se questionando a privatização do Rio Centro. Tenho uma preocupação, Secretário, quando o senhor há pouco disse que ainda não foi feita a Licitação para gestores... Já foi feita? Não foi aberto o edital? Pois é. Se apresentou a Orquestra Sinfônica Brasileira; me preocupa. Nós sabemos que a Orquestra Sinfônica Brasileira dificilmente conseguirá administrar um projeto, uma obra daquela amplitude. Então eu tenho essa preocupação, sim. Tenho preocupação com o dinheiro público. E acho que é extremamente por isso que o senhor está aqui hoje. A preocupação nossa, fundamentalmente, é com custo da obra e também com esse estudo de viabilidade. Muito obrigada.

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