A culpa de Eduardo Paes

Enquanto a médica Gisele Palhares era assassinada na Linha Vermelha, o governador Francisco Dornelles admitia numa entrevista que o dinheiro do Estado só daria para abastecer os carros da polícia até o final desta semana. Também faltam recursos para pagar servidores, manter hospitais e terminar a linha 4 do Metrô – o único legado olímpico que beneficiará a população. O governo federal se sensibilizou com a situação de calamidade financeira do Estado e vai liberar ajuda de R$ 2,9 bilhões. Mas ainda é pouco. Apesar do sofrimento do cidadão fluminense com o Estado de pires na mão, o prefeito do Rio, o senhor insensível Eduardo Paes, que nos tempos de vacas gordas tanto se beneficiou da união da prefeitura com os governos do estado e federal, agora dá de ombros e convoca a imprensa para dizer que essa crise não lhe pertence. Não é bem assim.

Quando um cidadão é assaltado, ele perde a esportiva. Não pensa que a crise é do Estado e que o município do Rio vai bem obrigado. Não lembra da tocha, nem dos jogos Olímpicos, muito menos da maravilha que é dar uma volta no caro e ineficiente trenzinho do VLT. O cidadão só pensa que a cada dia se torna mais difícil e penoso viver na cidade do Rio de Janeiro e não isenta o prefeito de culpa por todas as nossas desgraças. Apesar da poderosa publicidade da prefeitura, que consumiu em sete anos R$ 650 milhões, o cidadão não se engana: a cidade das maravilhas de Eduardo Paes só existe na propaganda dos jornais e na alucinação do prefeito. A vida real não é nada colorida.

O cidadão está certo. A prefeitura tem sim a sua parcela de culpa na falência da segurança pública, porque nunca se coçou para ajudar a UPP. Por diversas vezes, o secretário José Mariano Beltrame implorou pela UPP Social. Mas esta parte tão importante do projeto, que caberia à prefeitura, jamais saiu do papel, por um único motivo: a falta de vontade política do prefeito, que nestes anos todos só pensava no sucesso e nos holofotes das Olimpíadas. Em vez de construir campo de golfe e velódromo, Eduardo Paes teria deixado um verdadeiro legado à população, se tivesse feito a sua parte nas UPPs. Mas agora Inês é morta. Aliás, Ana Beatriz, Gisele e tantas outras.

Author: gabinete

A professora Teresa Bergher começou a fazer política há 30 anos, ao lado de seu marido, o falecido deputado Gerson Bergher. Foi subprefeita de Copacabana e administradora regional da Maré. Em quase 12 anos na Câmara dos Vereadores, no terceiro mandato parlamentar, é reconhecida como a mais rigorosa fiscal da execução orçamentária do Município, o que gera muitas denúncias ao Ministério Público e à imprensa, como os desvios da OS Biotech, que atua na área da Saúde, em que os donos foram presos; o caso Tesloo; os contratos sem licitação da RioSaúde; a farra dos cachês para artistas; o aumento do custo da obra dos piscinões da Praça da Bandeira, apesar da diminuição da capacidade de armazenamento prevista inicialmente no projeto, entre tantos outros desmandos. Foi de olho nas contas públicas que Teresa passou a suspeitar de que algo ia mal no zoológico do Rio, pois os investimentos minguavam ano a ano, apesar de a verba destinada ao parque aumentar. Vistoria e denúncias da vereadora acabaram provocando a interdição do zoo, onde os animais eram mantidos em condições precárias. Membro da Comissão de Defesa dos Animais, a vereadora apresentou emendas ao orçamento para garantir mais recursos à Secretaria de defesa dos Animais e verbas para a Suípa. É de autoria de Teresa a lei que obriga a Prefeitura a vacinar cães contra a Leishmaniose. Como legisladora, é autora de várias leis relevantes, entre elas, a que criou o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar; a semana de luta contra o câncer de mama; a proibição do uso de água potável para limpar calçadas; a determinação de que banheiros de estabelecimentos comerciais sejam abertos ao cidadão; a lei que estabelece diretrizes para a inclusão de alunos com deficiência nas escolas municipais; a que proíbe a cobrança de ingresso no sambódromo para os ensaios técnicos; a que determina a divulgação na internet de todo o material apreendido pela fiscalização ou pela Guarda Municipal. Na luta pela ética parlamentar e contra os gastos excessivos de recursos públicos, foi a primeira vereadora a dizer não aos carros oficiais para vereadores. Teresa também se destacou ao cobrar na justiça a devolução do dinheiro gasto na ciclovia Tim Maia, construída e fiscalizada pelo grupo Concremat; a punição para os responsáveis pela obra, que desabou, levando à morte duas pessoas, e que as empresas do grupo sejam consideradas inidôneas. Levantamento do gabinete de Teresa Bergher também mostrou que uma das empresas do grupo da família do secretário de turismo é a responsável pela avaliação da qualidade do asfalto da cidade. Teresa foi a primeira presidente do Conselho de Ética; presidiu a Comissão de Direitos Humanos durante seis anos; e, atualmente, é membro da Comissão em Defesa dos Animais e do Consumidor. Líder do PSDB e vice-presidente municipal do partido, a candidata é conhecida por denunciar malfeitos e lutar por projetos e causas de interesse do cidadão, como a instalação do ar condicionado em todos os ônibus da cidade; a revisão da chamada "Racionalização das Linhas de Ônibus", que vem prejudicando a população; a circulação de mais coletivos à noite; e saneamento básico nas comunidades carentes.